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A Fundação Getúlio Vargas divulgou ontem os resultados de uma pesquisa sobre Sexo, Casamento e Economia realizada em algumas capitais brasileiras. O resultado foi o que as pessoas minimamente observadoras já sabiam: quanto mais instruídas e urbanas, mais as mulheres brasileiras de hoje tendem a viver sozinhas. São 20 milhões de brasileiras solteiras, descasadas ou viúvas, que estão no mercado de trabalho com rendimentos 62% superiores às mulheres casadas. Brasília lidera essa estatística, com 44,32% de suas moradoras vivendo sozinhas. No Rio o percentual chega a 43,10%. Essas duas cidades foram definidas pelos pequisadores como “capitais da solidão”. E aí eu fico aqui matutando com meus velhos botões: como assim, “capital da solidão”? O que é solidão? Essa mulher sozinha é a que se mantém com o resultado financeiro do seu trabalho? É aquela que é mais seletiva nas escolhas das companhias? Que apenas não está inserida num modelo tradicional de relacionamento? Porque, para mim, ser solteira ou descasada não significa estar só ou viver na solidão. As que são donas de suas vidas estudam, trabalham, tem namorados/as, tem amigos, vivem um cotidiano bastante interessante. Com certeza jamais trocariam tudo o que conquistaram por um casamento, somente pra ter um homem ao seu lado. Pode-se dizer que viver só é viver na solidão? Tenho minhas dúvidas. Tenho amigas solteiras que estão felizes, outras que buscam relações estáveis e estão perdendo as esperanças, tenho amigas casadas que vivem o pior tipo de solidão, que é aquela dentro de uma relação convencional. Se essas pesquisas fossem mais subjetivas, iam descobrir que as meninas continuam as mesmas, o príncipe encantado é que mudou. (ilustração: Auto Retrato, de Tamara Lempicka - que estaria nessa pesquisa se vivesse entre nós)
- Postado por: Beth S. às 10h19 [ ] [ envie esta mensagem ]
Motoserra de Ouro Devido ao grande sucesso da campanha e atendendo a pedidos, a votação do Premio Motoserra de Ouro, do Greenpeace, foi prorrogada até o dia 16/06. Pra votar no grande vilão do desmatamento da Amazônia, é só chegar até aqui. - Postado por: Beth S. às 10h16 [ ] [ envie esta mensagem ]
Eu ja quis ser como ela... Eu sempre fico muito encantada com essas fotos antigas, principalmente as dos artistas da década de 30 e 40, no auge do glamour de Hollywood. Essas cópias não envelhecem! a qualidade resiste ao tempo e a uma infinidade de reproduções. Os climas criados pela luz são moderníssimos. Hoje não se faz mais preto e branco com tanto requinte e acabamento. Por que será? Outro dia conversava com um amigo fotógrafo e a sua teoria é que antigamente o fotógrafo além de artista era também um artesão. Não existiam laboratórios como hoje, e máquinas que entregam tudo em uma hora. Até mais ou menos a década de 60, o proprio fotógrafo ia pro laboratório, dosava os líquidos de revelação conforme seu desejo, puxava na luz, trocava de papel, de nitrato de prata, uma alquimia que tinha muito de artesanato. E saiam essas maravilhas. Tenho nostalgia dessas coisas que não vivi. Desses cuidados, esses caprichos. Sinto falta da delicadeza e dos pudores, da elegancia de comportamento e do respeito entre as pessoas. Acho que sou demodê, sabe? - Postado por: Beth S. às 18h37 [ ] [ envie esta mensagem ] Lido no Noblat: " Foi um completo fiasco o lançamento no teatro da Federação das Indústrias de São Paulo da nova campanha de publicidade do governo cujo mote é: "Bom exemplo. Essa moda pega!" Originalmente, o mote era: "Um bom exemplo. Tudo começa por aí". - Postado por: Beth S. às 22h02 [ ] [ envie esta mensagem ] Grande notícia A Revista BIZZ está de volta e essa é uma boa noticia. Nas bancas por 16 anos sem interrupções, a BIZZ foi a mais duradoura revista musical do país, a que abriu espaço para o mítico "rock brasileiro dos anos 80", para a MTV, para a cena internacional, para uma comunicação cultural ágil, jovem, bem humorada e cosmopolita. Era o jornalismo especializado à que recorriamos sempre, todos nós que trabalhamos com música. Em sua volta, a revista põe nas bancas cinco publicações especiais: dois volumes da História do Rock, um making of do Joshua Tree, do U2, outro do Catch a Fire, de Bob Marley e a mais interessante delas: as 100 maiores capas de discos de todos os tempos, escolhidas por um time de cem especialistas, entre jornalistas, publicitários, designers, colecionadores, etc. Os grandes artistas e as incríveis histórias por trás das imagens numa edição de colecionador. Está nas bancas por 14,95 e é pra correr e comprar.
O primeiro lugar foi para a capa sensacional do disco The Velvet Underground & Nico, que estou ouvindo enquanto escrevo esse post. Me lembro muito bem quando surgiu, em 67, poucas pessoas conheciam. Uma amiga trouxe de Nova Iorque e a gente ficava "chapada" já com a capa, uma banana amarela com preto num fundo branco. Criação do Andy Warhol mentor da banda. A casca era um adesivo, a gente puxava e era como se estivesse descascando a fruta, aparecia a banana bem cor de rosa, meio fálica...Fez tanto sucesso quanto aquele disco dos Rolling Stones da mesma época, Sticky Fingers, eu acho, que tinha a foto enorme dos quadris de um rapaz bem dotado, de jeans, com um fecho eclair de verdade, que a gente naturalmente abria no auge da excitação... hohoho A música do disco também era uma "porrada". Nada do que se ouvia na época, California Dreaming, paz e amor, bicho, essas coisas...Era música de tribo barra pesada de cidade grande, que falava de solidão, perdição moral, amores sadomasoquistas, drogas, violência. Um abismo perigoso e atraente. E o som tinha guitarras distorcidas e uma bateria primitiva. A banda era de responsa: Lou Reed compunha e fazia a guitarra solo, Sterling Morrison, empunhava a outra guitarra, John Cale tocava vários instrumentos, principalmente o baixo e na bateria estava uma garota, primeira vez que a gente via uma garota na bateria de uma banda de rock. Era a Maureen Tucker, que batia forte igual a um garoto, cheia de atitude...E a voz da Nico, que merece um post à parte. O Velvet com Nico era uma descoberta, realmente. E tudo que essas bandas de hoje fazem, começou ali. Mistura de rock e blues, psicodelia e vanguarda. Moderno até hoje. Pena que durou apenas esse disco, com edição pequena, disputado à tapa pelos fãs. Consegui comprar o meu vinil, depois de muita procura, só nos anos 80 e paguei por ele uma pequena fortuna. Coisas de colecionador...
Nico era linda e estranha. Alemã, lourissima, com voz hipnótica, ela trabalhou com Fellini em La Dolce Vita e foi apresentada a Andy Warhol por Bob Dylan quando chegou a Nova Iorque. O papa da Pop Art se apaixonou pelo seu carisma e quase impôs a sua presença na Velvet Undergound, banda que estava assessorando a alguns anos. Lou Reed brigava com ela, mas John Cale gostava da sua companhia, tanto que por muitos anos, depois do fim da banda, continou produzindo seus discos solo e apresentando-se com ela em pequenos show voz e violão. Nico era misteriosa, despertava curiosidade. Sempre usava roupas pretas e pegava os maiores "gatos" da época. Teve um caso quentissimo com Alain Delon, pai do seu unico filho, namorou com Brian Jones, dos Stones, com Bob Dylan. Apaixonou-se por Jim Morrison, do Doors, e por causa dele cortou os cabelos e pintou-os de vermelho. Dessa época começou uma viagem com heroina, destrutiva e que quase acabou com sua carreira solo. Nico gravou 14 discos e morreu misteriosamente em Ibiza, em 88, depois de um acidente de bicicleta. Era, como gostava de dizer, uma femme fatale. E nos encantava, a todas nós, adolescentes rebeldes dos anos 60. - Postado por: Beth S. às 12h12 [ ] [ envie esta mensagem ]
Em S. Paulo não se fala em outra coisa que não seja a inauguração da nova Daslu, na Vila Olímpia. Que fica bem pertinho da favela Coliseu. Um reporter fez os cálculos e constatou que a soma da renda mensal de todas as famílias da favela (R$ 10.725, segundo o IBGE) daria para comprar apenas duas calças Dolce & Gabbana na loja... - Postado por: Beth S. às 23h39 [ ] [ envie esta mensagem ]
Pequenas emoções cotidianas: * Tomar um banho morninho de banheira antes de dormir, deitar em lençois recem passados e descobrir no travesseiro um perfume que te leva diretamente a momentos inesquecíveis com seu amor. * Acordar e descobrir que as orquídeas abriram suas macias pétalas de cor intensa, colorindo o muro com delicadeza. * Produzir um show instrumental na rua, de graça, e no final receber uma flor de uma senhora idosa, que veio agradecer o presente. * Ver a netinha tentando dar os primeiros e trôpegos passos e lhe chamar com vozinha doce: vovó! Essas pequenas coisinhas fazem a vida valer a pena. - Postado por: Beth S. às 23h24 [ ] [ envie esta mensagem ]
Tenho muita admiração pelos artistas anônimos que criam enormes painéis com sprays coloridos nas ruas das cidades. São grafiteiros, não querem ser confundidos com pichadores. E são artistas de primeira. Com dominio do espaço, do uso de cores, de sombras, de técnicas, de perspectivas. Acabei de ver um documentário no GNT sobre quatro grafiteiros cariocas, tres rapazes e uma garota, todos tão jovens, tudo o que eles querem é deixar a cidade mais bonita e agradavel de viver. Basquiat era grafiteiro. (foto Val Ayres, com LCA da Lomo) - Postado por: Beth S. às 23h17 [ ] [ envie esta mensagem ]
Li no Boechat: o Ministério de Desenvolvimento Social gravou um clipe muito bem produzido com o ministro/cantor Gilberto Gil que deverá ir ao ar no proximo domingo em todo o Brasil, para lembrar o Dia Mundial de Combate à Exploração do Trabalho Infantil. Os responsáveis, porém, esqueceram de um pequenino detalhe: os autores da música escolhida para o clipe - Comida, dos Titãs - não foram consultados e muito menos autorizaram o uso da obra, um classico do rock nacional... Hei, PT, a gente não quer só comida, a gente também quer respeito pelo trabalho alheio... - Postado por: Beth S. às 23h00 [ ] [ envie esta mensagem ] Pezinho de gueixa Fiquei chocada: li em algum lugar na internet que Umberto Eco calça sapatos 37! Como? - Postado por: Beth S. às 22h48 [ ] [ envie esta mensagem ] Cenas da Cidade - 3 Eles alugaram uma mansão enorme na Peninsula dos Ministros, privilegiado local à beira do Lago Sul. Enorme mesmo. Só pra "zuar". A casa era do deputado distrital Luis Estevão, aquele. Fins de semana reuniam amigos, namoradas, irmãs, amigos dos amigos, todo mundo estiloso, carros importados e um jeitinho meio arrogante de ser. Fim de semana passado o churrasquinho básico foi substituido por uma festa que durou dois dias, começou na noite da sexta e já entrava pelo meio dia de domingo. Som e luz profissional, DJ, biritas, manobristas na entrada da quadra, praticamente uma rave. Mas a vizinhança não gostou. E aquela vizinhança era do barulho: José Sarney, Severino Cavalcanti, Renan Calheiros. Ninguem conseguiu dormir, dizem outros vizinhos menos cotados. O governador Roriz foi acionado e mandou 40 policiais armados acabarem com a brincadeira. Todos presos, levados pra delegacia e soltos em seguida. A casa ficou tal e qual acampamento de refugiados. Sobrou pros serviçais, que foram contratadas para limpar a enorme quantidade de lixo que restou da brincadeira. Ivonete Marques do Nascimento, 34 anos, moradora do Recanto das Emas, faxineira diarista contratada para a limpeza, diz que nunca viu tanta garrafa junta. Nem camisinha. Ela adorou mesmo foi o pernil prontinho pra ser servido que acabou dividido entre as quatro faxineiras. "Pernil é mais ou menos. Prefiro frango assado", disse ela, que mesmo assim levou a iguaria pros filhotes. - Postado por: Beth S. às 22h43 [ ] [ envie esta mensagem ]
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