
No ar, antes de mergulhar
É batata: de oito em oito anos a minha vida dá uma virada de 180 graus. Eu já nem fico grilada, simplesmente relaxo e deixo as coisas acontecerem. Tudo começa com uma insatisfação que vai roendo por dentro, o trabalho não rende, a vida fica besta e vazia, fico infeliz de verdade – até relaxar e seguir a minha intuição sobre o que fazer. É como uma ordem e a partir daí tudo se encaixa e dá certo.
Foi assim quando vim pra Brasília há oito anos atrás e esta sendo assim agora, quando vou me mudar pro Rio – onde estão minha família, minhas netinhas, meus amigos, onde já tenho apartamento e escritório. Onde vou curtir o aconchego que me falta aqui nessa cidade futurista. Devo ir em fins de novembro, depois de concluir uns trabalhos que ainda estão pendentes em Brasília. Estou bastante animada...
**************
Duro foi me desfazer da enorme quantidade de tralhas que fui acumulando ao longo dos anos. Fiz um inventário minucioso de tudo, processo meio analítico que durou uns dois meses e me desfiz do que não tinha importância real. Coisas que não cabem na minha nova vida em moradia pequena, um apartamento de dois quartos. Revi fotos, anotações, lembranças de bons tempos. Algumas coisas me fizeram chorar, outras joguei fora sem dó nem piedade. Nessa onda se foram 941 livros que certamente não vou reler e que fazem parte agora de uma biblioteca itinerante que o governo patrocina em cidades satélites brasilienses. Vou levar somente o que é impossível jogar fora – meus discos, outros quase 600 livros, alguma roupa, artefatos de cozinha, papeis de escritório, coisas muito leves e fáceis de carregar. Ta tudo num depósito, aguardando o momento de ser colocado num caminhão e seguir viagem.
O sobrou foi oferecido em uma garage sale e vendeu tudo, impressionante. Nunca tinha feito isso, mas a Bela me convenceu e foi realmente a coisa certa. Contratei uma empresa profissional que se encarregou de tudo e no final recebi o borderô e a minha parte da venda. The end. É super estranho ver as suas coisas assim expostas e sendo vasculhadas por pessoas que você nunca viu, mas depois você se acostuma. Uma experiência bastante interessante.
*********************
Enfim, estou feliz e animada – uma mudança dessas quando se esta prestes a completar 60 anos pode ser vista de duas maneiras: ou uma maluquice total ou a prova de que estou viva e posso fazer o que eu quiser. Prefiro a segunda, claro!
(foto: Arthur Morris/Corbis)
-
Postado por: Beth S. às 00h05
[
]
[
envie esta mensagem ]