Amanhã é Dia das Crianças, impressionante como o comercio massacra nossos ouvidos e as mães se alvoroçam pra gastar dinheiro. Não levo muito em conta, ando mesmo na contramão. Tenho várias crianças por perto, mas dou sempre presentinhos a elas, não é um dia que o comercio determina que vai me fazer mudar de idéia. As crianças da minha família sabem que todo dia é dia de se presentear e que o valor do presente está mais no amor que a gente põe nele do que no preço que ele custa. Mas é difícil – na escola os amiguinhos ganham sempre aqueles brinquedos impressionantes e elas ficam meio frustradas.
O Ivan quando estava por aqui criou um kit que chamou de “Em Busca da Infância Perdida” e que era assim: um caixote pequeno de madeira, que ele pintava e desenhava um por um, com o nome da criança, cheio de coisas que os pequenos de hoje não conhecem mais - como pião, bola de gude, corda para pular, jogos de memória, jogos de montar, livros para desenhar, lápis coloridos, papeis especiais para fazer pipa, essas coisas. As crianças a principio estranhavam, mas ele ensinava pacientemente como usar e o kit acaba virando um grande sucesso. Ele fez muitos e presenteou várias amigos pequenos, inclusive fora do dia das crianças. Essa é a minha opção preferida.
Recomendo também discos lindos que a Biscoitinho (divisão infantil da gravadora Biscoito Fino) separou em uma caixa, especialmente para os pequenos.
No mais, é só dar muito amor e carinho e atenção e respeito a essas pessoas tão especiais nas nossas vidas. Não só amanhã, mas sempre.
Doris Lessing ganhou o Nobel de literatura. Muita gente acha que ela é uma escritora menor, mas eu gosto muito – fiquei feliz pelo reconhecimento do seu trabalho, agora que ela tem 88 anos. Li muitos dos seus livros, não todos, são mais de 40 obras. Sua produção cobre um vasto leque de estilos – romances, novelas, ensaios, peças teatrais, biografias e até uma ópera... Gosto especialmente de O Carnê Dourado, dos livros mais feministas (como O Sonho de Martha Quest, primeiro da série Filhos da Violência) e os de ficção cientifica, da série Canopus em Argos, principalmente o primeiro volume – Shikasta.
Um conhecido meu fazia faxina na casa da Doris Lessing, na época em que morava em Londres, para completar o orçamento apertado de estudante. Ele diz que ela morava sozinha numa enorme casa vitoriana, cheia de livros, almofadas persas e gatos. Ela cuida de gatos abandonados, inclusive tem um que só tem três patas , pois perdeu a outra devido ao câncer. Tenho aqui um livro seu, lindo, dedicado a esses animais – Gatos e Mais Gatos- numa edição portuguesa, não sei se foi publicado no Brasil.
Acho ótimo quando esses prêmios importantes são dados a autores que não estão muito na mídia.