O mundo gira e a Lusitana roda
Maquina de lavar e fogão funcionando, internet e filminhos da tv por assinatura já no ar, a vida começa a entrar nos eixos. A casa ainda parece um acampamento iraquiano depois de bombardeio dos marines, mas paciência... Me desfiz de muitas coisas naquela garage sale maluca antes de sair de Brasilia, porque sentia que o momento de vida era novo e os móveis lembravam demais o Ivan. E agora sinto que não precisava tanto. Um ótimo gaveteiro, por exemplo – cinco gavetinhas, a primeira especial para talheres, em cima uma bancada auxiliar que a gente podia mover pra todo lado, pois tinha rodinhas na parte de baixo... coisa burra me desfazer dele, agora me faz uma enorme falta na cozinha. Os sofás também. Bons sofás. Todos me lembravam demais dele, é verdade, compramos juntos, curtimos juntos as almofadas e tudo o mais. Mas eram bons e confortáveis sofás. O caso é que agora minha sala está vazia. Só precisava ter trocado a cobertura e eles ficavam novinhos num passe de mágica... Enfim, a gente faz muitas burradas na vida. Quando acabar essa correria insana do Natal, tentarei comprar outro. Quem sabe é isso mesmo, né? Começar do zero é ocupar os espaços de outra maneira, com outros olhares, outras perspectivas. Acredito no meu olho estético, pode crer. E afirmo com todas as letras que a vida é uma coisa muito da boa, viu?
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Moro agora numa pequena ladeira cercada de verde no bairro de Cosme Velho, a cara do Rio. Lá em cima. É um pouco mais friozinho que no resto da cidade, uma benção. A rua termina logo mais na frente – com uma pequena mata. Tem uma trilha estreita nessa mata que vai dar no Corcovado. Fiquei muito a fim de fazer a trilha, mas me disseram que agora é perigoso. Na subida da rua tem a igreja de S. Judas Tadeu (santo das causas impossíveis, benza deus) e o ponto inicial do bondinho que leva ao Corcovado. Turista que não acaba mais – eles chegam aos montes, de bermudas, tênis e chapéu. Parecem europeus. Ta chovendo, se não estariam todos vermelhinhos como camarões.
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O meu apartamento é pequeno e amplo ao mesmo tempo – me cabe direitinho e com bastante conforto nesse momento. Ao meio dia e às seis da tarde ouço sinos de igreja – o que me lembra o tempo em que vivia em Olinda. Adoro o som dos sinos, me trazem ótimas lembranças de tempos e pessoas queridas. Estava precisando voltar a viver em uma cidade antiga assim, com historia e casas de portas e janelas lindas, por onde já passaram muitos avós e bisavós. Era disso que eu mais sentia falta em Brasília.
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Filhote de Floripa chegou com a família toda. Maria Flor está uma mocinha conversadeira e a Nina Morena sorri o tempo todo – é uma criancinha muito feliz. Foi emocionante vê-las brincando com a Antonia e a Lola, minhas quatro menininhas tão amadas. Pela primeira vez em muitos anos vamos passar o Natal todos juntos, os meus filhos e netas, as queridas noras e eu. Jantaremos e trocaremos presentes na casa do Pedro, pai desses filhos, ex-marido, hoje meu grande e querido amigo, na beira mar da Joatinga. Minha familia. Acho que vou ser muito feliz aqui.
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Postado por: Beth S. às 02h05
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