
O tempo passa e a Lusitana roda...
Essa menininha ai em cima sou eu. Tinha quinze meses e estava achando muito estranho todo aquele aparato de gente grande em volta de mim... Acho que a minha expressão é parecida com a da minha neta Maria Flor. Aliás, quando Maria viu a foto pensou que era ela e depois não acreditou que a vovó já foi desse tamanho.
A vovó que ela conhece tem exatos 720 meses, cinco dias, 15 horas e cinqüenta e um minutos, no momento em que escreve esse post. Sim, desde o ultimo dia quatro de abril sou a mais nova sexagenária da praça do Rio de Janeiro. Já uso e abuso das minhas prerrogativas, como o direito às filas especiais de bancos e supermercados e aos ingressos com o mesmo preço pago pelos estudantes. Acho que fiquei menor no sentido vertical e maior no horizontal, mas isso pode ser apenas um ponto de vista. O inegável é que meus cabelos ganharam um tom prata dourado que nenhum salão jamais vai conseguir misturar. É exclusividade minha e não abro mão.
Descobri também que hoje tenho os sentidos muito mais apurados pras coisas que me importam, como o som dos risos e brincadeiras de crianças, os silêncios e olhares cúmplices de amigos queridos, o prazer e alegria de estar junto de quem se ama sem pedir nada e mesmo os perfumes que trazem de volta bons momentos que ficaram pra trás... A mente também está afiada como uma navalha, precisa e lúcida, mente de garota, benza deus. Aliás, de garota não, hoje posso dizer que sou muito melhor do que era há 30, 40 anos.
O povo me pergunta se eu queria voltar no tempo e ser de novo aquela jovem de pele de pêssego e cabelos de sol. Queria não, pode acreditar. Gosto de ser o que sou hoje, com a bagagem que a estrada me deu, com as rugas, as celulites e as manias... Essa é verdadeiramente a Beth, que garante a vocês: daqui a 10 anos vou estar ainda muito melhor! Me aguardem!
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Postado por: Beth S. às 18h23
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